domingo, 16 de junho de 2013

Um Brasil melhor? Pensei um pouco sobre...

Fazia um bom tempo que eu não me sentia motivado a escrever algumas palavras neste espaço. Observando os atuais acontecimentos em desenvolvimento na nossa nação, venho tecer alguns comentários pessoais, de forma sincera e com o pouco conhecimento que obtive durante estes anos, do que ocorre hoje no cenário brasileiro.

Um alerta: este texto não possui o intuito de ser o propagador da verdade, contudo, acredito que o embasamento em argumentações concretas é essencial para um movimento social/político e creio que praticar o sofismo em uma hora tão delicada é um crime capital, principalmente para o lado dos que lutam contra o governo, pois seria usar as armas deste. Existem pessoas que possuem esta habilidade de tornar o gordo em magro, o alto em baixo, o sol na lua e o certo em errado, apesar destes últimos serem conceitos abstratos. Tais seres humanos são essenciais em um governo corrupto, para manter a máquina do Estado funcionando... Por que? Ora... Se você perguntar a um destes exemplares de nossa espécie e ele estivesse num acesso de sinceridade atípico: "qual é a verdade?". O mesmo responderia: "Depende. Em que você deseja acreditar?".

Isto, meus amigos, é o começo do fim. Quando aceitamos tais "verdades" (sim, é mais fácil você crer no que um sofista fala, simplesmente por sermos humanos e a nossa mentalidade tender ao individualismo em vez do altruísmo, algo pelo qual você não deve se repreender, somos assim e raros são os casos na história escapam desta definição) permitimos que o manipulador, aquele que apresentou certos argumentos para você ficar sossegado e parar de gastar energia pensando naquele problema, possa começar a fabricar seu verdadeiro intuito. Este tipo de pensamento foi o primeiro a ser constatado e lembrado na história do Ocidente nas ilhas gregas, ensinado (em sua definição) nas primeiras aulas de Filosofia no currículo de nossas escolas e existe até hoje...

Agora que os senhores estão devidamente alertados deste tipo de gente (não que vocês não os conhecessem... Talvez só não soubessem que existe gente assim desde quando começamos a registrar nossa história) vamos aos meus argumentos... Esperando que eu possa demonstrar bem o que eu constatei.

O movimento iniciado na maior cidade do Brasil contra o aumento do preço das passagens do péssimo serviço público de transportes oferecido em São Paulo, e na maioria das cidades brasileiras, foi o estopim para juntar milhares de pessoas nas ruas de nosso país e evoluir para diversas reivindicações. Jovens, adultos, idosos, ricos, pobres, baderneiros, ativistas, sonhadores... Todos estavam representados e rotulados pela mídia nos protestos que eu vi ocorrerem não somente em SP, mas em Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro e outras cidades. 

O primeiro ponto que observei é a clara definição de segregação dos movimentos e daqueles que os compunham, sempre tratados por "grupos sociais" e nunca, simplesmente, por "brasileiros". Obviamente, uma clara tentativa de diminuir a importância destas mobilizações, pois ainda existe preconceito entre diversos destes "grupos" em nosso país e o conceito de "se misturar" ainda é muito difícil para nós.

Atos de truculência foram praticados por policiais em diversas cidades. Bem, atos de escolta em Belo Horizonte e Fortaleza para transformar os protestos em atos pacíficos foram promovidos pela mesma instituição. Da mesma forma, atos de vandalismo e depredações ao patrimônio público ocorreram em várias cidades. Contudo, a maioria dos que estavam nestes protestos eram contrários a violência (no caso de Fortaleza, o protesto era exatamente contra a mesma que assola nossa cidade) e apenas desejam um país melhor. Deixemos de ser simplistas em nossas argumentações.

O segundo ponto é a argumentação que eu me contorço todo quando escuto: "onde já se viu protesto sem violência?", usado diversas vezes. Trago para os senhores, um exemplo, dos vários que conheço:

Em 25 de Abril de 1974, em Portugal, ocorreu a Revolução dos Cravos. O povo português, sofrendo horrores com a ditadura fascista salazarista que havia começado em 1933, não suportava mais a estagnação econômica e tecnológica que o país sofria, juntamente com a repressão e as características que somente um estado de extrema direita (no caso) ou extrema esquerda sabem fazer. 
  
"Conduzido por um movimento MILITAR (sim, militar é gente também viu? Não são todos fascistas malucos como gostam de pintar aqui no Brasil, principalmente depois da redemocratização... Ninguém lembra que o golpe militar não funcionaria se não tivesse o apoio de boa parte da sociedade civil, traduzindo: nós), o Movimento das Forças Armadas (MFA), composto por oficiais intermediários da hierarquia militar, na sua maior parte capitães e que foram apoiados por oficiais milicianos, estudantes recrutados, muitos deles universitários" foi o responsável pela desestruturação do governo fascista criado por Salazar.


Em 24 de Abril, o golpe militar estava preparado. Diversos quartéis esperavam a canção "Grândola, Vila Morena" (proibida no país pelo seu teor "socialista") tocar na rádio combinada, sinal de que o movimento iniciaria. Na madrugada, a ação dos militares iniciaram com o intuito de acabar com a ditadura. Na manhã do dia 25, os portugueses comuns acordaram e viram movimentações de militares e estudantes em massa nas ruas do país, só que, a grande surpresa: os tanques, armas e espadas estavam voltadas aos centros de poder político daquele Estado corrupto e não para eles. A adesão ao movimento das massas foi instantânea aos golpistas.

"No dia 26 de abril, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, que dará início a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, em síntese, resumido no programa dos três D: DEMOCRATIZAR, Descolonizar, Desenvolver." Um ano depois, eleições livres para a Assembleia Constituinte foram promovidas pelos militares, que se afastaram do poder e agora opinariam como todos: nas urnas.

"O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi uma florista de Lisboa que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que os ofereceram aos soldados. Estes colocaram-nos nos canos das espingardas. Por isso se chama ao 25 de Abril de 74 a "Revolução dos Cravos""

Confrontos? Para ser honesto, "apenas" quatro pessoas foram mortas na revolução, quando elementos da polícia secreta (se equipara ao DOPS que havia aqui no Brasil) dispararam de um prédio sobre um grupo que manifestava na frente de sua sede, em Lisboa. Se não fossem esses assassinos, um governo inteiro teria sucumbido sem o disparo de um tiro sequer... do lado dos manifestantes, nenhuma violência foi aplicada.

Outra, "no Egito e na Síria o povo está lutando contra os opressores, aqui fazemos o mesmo", dizem alguns. O exemplo aqui citado também possui um embasamento cultural maior do que aqueles que comparam o que está ocorrendo aqui (nossas semelhanças com Portugal, admitam, são maiores do que as com o Oriente) com a Primavera Árabe, acontecimentos distintos, começando pela cultura diferente entre nós e resultando no próprio conceito no modo de fazer política usada no Oriente Médio e aqui, com fatores bem diversos. Na História, quando fazemos comparações, temos que nos aproximar ao máximo de um exemplo existente e não ser simplista, senão, todo movimento popular se torna igual e o que era para ser um argumento que comprovaria seu ponto acaba tornando-o simples de ser contrariado, como acabei de fazer.

Por isso meus caros, não vão nessa pilha errada que "para protestar tem que quebrar e usar de violência"... Tem que existir é organização das lideranças e compreensão com o trabalho dos policiais, que obedecem ordens vindas, ás vezes, de alguns corruptos ou autoritários. Por que as lideranças não falam com os comandantes e pedem auxílio, como ocorreu em BH? Aposto que eles vão ouvir, eles são gente e, na sua maioria, não gostam de confrontos, como vocês. Eles vão ouvir se tratados com respeito.
Terceiro ponto: cuidado com quem aproveita tais movimentos para levantar a bandeira de sua causa/partido. Muitos são aqueles que aproveitam estas grandes manifestações para tentar modificar os verdadeiros propósitos (que eu acho extremamente nobres no caso destas mobilizações que vejo) para colocar ideologia capenga e arcaica de partidinho radical.

George Orwell, em seu livro "A Revolução dos Bichos", que fala da tomada de uma fazenda pelos animais que lá viviam sobre a opressão dos homens, após algum tempo, mostra a deturpação que os líderes (no caso, os porcos) acabam sofrendo em seus ideais, ao final da mesma obra, não se distinguia os porcos dos homens.


Uma das leis, escritas pelos porcos na parede do celeiro, inicialmente falava: "Todos os Bichos são iguais". Quando eles estavam no processo de corrupção, a lei mudara "sutilmente": "Todos os Bichos são iguais, contudo, alguns são mais iguais que os outros". Percebem? Estas pessoas que gostam de modificar os objetivos primários e que todos compreendem para baboseiras ideológicas se colocando como pseudo-intelectuais no início destes protestos, acabam querendo ser tão o oposto daquilo que são contra que se tornam a mesma coisa. E outra, já pensaram que podem existir pessoas especialmente designadas para exercer a desestabilização do movimento dentro do mesmo?

Lutem pelo que acreditam e anseiam, e não pelo o que os outros dizem que será bom.

Conclusão: Vejo algo belo se construindo na mentalidade de nosso povo. Saímos de nossos lares para protestar, outros (meu caso) acabam escrevendo e avaliando a situação com a esperança de trazer mais pessoas para esse sentimento de revolta que sentimos, também existem aqueles que entraram e entrarão no Executivo, Legislativo e Judiciário com a esperança de que seu trabalho será de importância para o desenvolvimento do país, enfim, vejo um povo que não deseja mais ser acomodado, seja de forma física ou intelectual. Usamos nosso "eu" para lutar por direitos que pertencem a "nós" depois de muitos anos de ausência política popular em nossa nação. E, para isso ser completo, a compreensão desta causa precisa ser do conhecimento geral para surtir efeitos e atingir seus objetivos.


Somos brasileiros, não "assistiremos bestializados" a chegada de nada se desejarmos mudar esse quadro corrupto e indigno que muitos vivem. Violência, educação precária, saúde pública perfeita no papel e na prática um desastre, são fatores que ouvimos de 2 em 2 anos serem criticados nas campanhas políticas e que continuam em nossa diária labuta para sobreviver, porque viver, de fato, e aproveitar desta vida apenas alguns conseguem.

Vamos brasileiros, sem causas políticas e bandeiras de partidos, usando apenas nossas mentes e a bandeira nacional como símbolos do amor que temos por esta terra e contra tudo que nos faz sofrer neste país.

1 comentários:

Luciano Pires disse...

Muito bom, Victor. Concordo com você 100%! Quem dera os radicais de todas as cores tivessem esse mesmo cuidado que você teve para analisar os acontecimentos! Continue! Um abraço

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